Se vivo estiver, por onde anda o palhaço Cara Limpa? Que histórias conta e será que já ouviu falar do Cirque du Soleil?
Duas semanas atrás, viajando pelo interior do Paraná, vi, em lugares diferentes, dois pequenos circos. Pequenos e pobres circos, desses que visitam lugarejos distantes das grandes cidades, ou então se instalam em seus bairros pobres.
Mas sempre são circos pobres, para gente pobre que não tem outro divertimento que não a pobreza desses circos. Pobreza no sentido literal da palavra, por mais mérito que tenha a apresentação circense —também pobre. Mas divertem e fazem rir. Depois de sua partida, sempre deixam comentários e saudades.
— Hoje tem espetáculo?
— Tem, sim, senhor.
— E o palhaço, o que é?
Essas frases, sempre ditas de maneira gritada e alegre, foram muito ouvidas, nos tempos passados, em muitas ruas do nosso país. Quem a gritava era, geralmente, um homem vestido com a roupa de palhaço, que em geral, era o próprio palhaço na apresentação noturna.
— E o palhaço, o que é?
Um coro respondia a pergunta: "Ladrão de mulher". Não sei quantos palhaços algum dia conseguiram roubar alguma mulher, mas para efeito de diversão, principalmente da garotada que acompanhava o cortejo, servia.
Não sei o nome e nem o ano do primeiro circo em que entrei, mas nunca esqueci o nome do palhaço: Cara Limpa. O circo era pobre como os dois que agora vi. Mas, como em qualquer circo e para efeito da propaganda, o Cara Limpa também era ladrão de mulher. Duvido que o Cara Limpa tenha conseguido roubar alguma. Para além da pobreza do circo, ele não era um bom partido. Assim imagino, mas coisas do coração são difíceis de entender.
Quando qualquer circo chega a uma cidade é —ou pelo menos era antes da televisão— anunciado o maior espetáculo da Terra, com atrações nacionais e internacionais. Hoje, com a TV, tornou-se mais difícil anunciar o maior espetáculo da Terra, porque isso pode ser desmascarado. Mas sempre é anunciado um grande espetáculo de magia, beleza e muita alegria. Segundo seus anúncios, é um maravilhoso mundo de emoções.
As emoções e a alegria dos circos (acrobatas, contorcionistas e equilibristas) têm a idade de 5 mil anos, pelo menos é o que esta registrado em pinturas chinesas. E as mesmas, cada qual para o seu tempo, continuam presentes de acordo com a capacidade financeira familiar. Uns vão no circo "sem nome". Outros, ao Cirque du Soleil.
Digo propositadamente "sem nome" por não recordar o nome do primeiro circo que fui quando ainda criança. E também por não ter conseguido ler o nome dos circos que vi recentemente montados à beira da estrada.
Como disse, da minha primeira ida ao circo guardei o nome daquele que nos intervalos entre uma apresentação e outra chamava a atenção para si: era o animador e a o mesmo tempo o apresentador. Era o palhaço Cara Limpa. Se vivo estiver, por onde anda, que histórias conta e será que já ouviu falar do Cirque du Soleil?
O Cirque du Soleil se anuncia como o "maior grupo circense do mundo". Este não é comandado pelo Cara Limpa, mas por um personagem chamado Fleur. Dizem que é divertido, pois não vi, e se apresenta vestido de grilo. Como o Cara Limpa, ele é o mestre de cerimônias.
Os circos "sem nome" são pequenos, com poucas pessoas e que fazem de tudo: carregam as lonas e todos os demais apetrechos. Montam os circos e também são os seus artistas. Já no Cirque du Soleil, quem é artista é artista, não é carregador. Anunciam que são mais de 3 mil empregados. Desse total, quase mil, artistas. Na apresentação aqui em Curitiba, há um brasileiro, que não por acaso é palhaço. Digo isto porque sempre tivemos bons palhaços. Ele tem nome, Marcos de Oliveira. Que pena que não é o Cara Limpa.
Não lembro com que roupa fui ao circo "sem nome". Provavelmente tomei banho e coloquei uma roupa adequada. Informo este detalhe porque observei que uma das preocupações das mulheres que vão ao Cirque du Soleil é justamente a roupa. Afinal, ir a um espetáculo que custa entre 130 e 275 reais não é para qualquer um, nem para qualquer roupa. Vá que lá encontre um bom ladrão de mulher.
Dr. Rosinha, deputado federal (PT-PR), vice-presidente do Parlamento do Mercosul.
www.drrosinha.com.br
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Em minhas andanças pela internet encontrei esse texto, escrito por um deputado federal do PT. E é impressionante: tem tudo a ver com o que eu quero retratar!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
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