O Circo di Napoli encontra-se em um local perfeito para uma filmagem. Próximo, há uma ponte de onde pode se ter uma visão ampla de toda área ocupada. À noite, as luzes são todas acesas e ficam “piscando”, atraindo a atenção para a primeira tenda (a da bilheteria). Em volta tudo fica muito escuro, dando ao circo um caráter isolado – o que pode ser muito bom para o filme. Em volta da grande tenda há uma série de trailers, onde se pode observar camas, mesas, tv’s e produtos do circo, indicando que os integrantes da trupe moram por ali. Atrás da grande tenda há um patamar bastante interessante, onde se tem uma visão de quase todos os trailers.
Depois da bilheteria, existe um corredor (um trailer) coberto por um pano vermelho. Pensei em filmar as pessoas chegando por ali, pois as cores fortes compõem um quadro interessante. E então se chega a um saguão, onde estão localizadas barraquinhas de comida.
O terreno da grande tenda é feito de areia, havendo lama logo na entrada. A platéia é pequena, se distribuindo em dois blocos centrais e quatro laterais. De qualquer lugar se tem uma visão boa do picadeiro, mas penso que o lado esquerdo e o central seriam mais importantes – preciso ainda decidir qual parte da apresentação vou usar.
A apresentação começa com um locutor em uma espécie de italiano misturado com francês. Entre as diversas cenas de palhaços, malabaristas, equilibristas e trapezistas esse locutor sempre está presente. Da fala dele temos o exagero habitual encontrado em todos os circos: todos os artistas são os “melhores do mundo”, todas as atrações são especiais e tudo é grande, espetacular.
O que percebi foi a fragilidade de tudo aquilo. Na platéia havia menos de 150 pessoas. Os artistas tinham que pedir aplausos frequentemente e as atrações não empolgavam tanto o espectador. Além disso, outra coisa que me chamou a atenção foi que os artistas não eram só artistas, também vendiam produtos no intervalo e limpavam e organizavam o picadeiro. Espero ter a possibilidade de conviver mais com essas pessoas. Ver como é o mundo por trás das duas horas de espetáculo diárias.
Acho que encontrei o que queria. O circo consegue transmitir toda a carência dessa arte nos dias atuais... Tudo indica minha tese (e de mais um monte de gente) está correta.
sábado, 26 de abril de 2008
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