quinta-feira, 27 de março de 2008

"A Estrada da Vida"

Assisti ao filme "A Estrada da Vida" e, novamente, me encantei com o mundo do circo e o modo como o diretor, Federico Fellini, o mostra.
Lembrei da pergunta que tinha lançado aqui no blog: "por que o circo está decadente?" E, assistindo ao filme, cheguei a algumas conclusões... Acho que antes da TV, do computador, etc., bastava pouco para se deslumbrar. As pessoas iam no circo e se permitiam fascinar com os saltimbancos, se animavam com os trapezistas, se contorciam de tanto rir com os palhaços. Hoje, é quase como um crime dar atenção, ou melhor, acreditar em algo que não compreenda tecnologia. Perdeu-se a inocência... a surpresa...

Idéia

Neste último post coloquei algumas fotos do ensaio da Fernanda Prado. Uma coisa que me chamou muito atenção foi que as fotos do cotidiano, dos bastidores são preto e branco, sendo apenas as do espetáculo coloridas. Pode ser uma boa utilizar essa técnica... acho que reforçaria a tese de que quando (os artistas) estão no palco não há dor nem miséria que apareça; estão se realizando e completamente transformados. - Só precisa ver se não vai prejudicar no entendimento do filme e nem ficar muito clichê, à la "O Mágico de Oz".

Vida de Circo – Realidade e Fantasia

Vou postar um ensaio fotográfico que a jornalista Fernanda Prado fez do circo Garcia. O trecho da matéria é da revista "Caros Amigos".
*
Uma dívida de 1 milhão de reais fez com que o Grande Circo Garcia descesse as lonas pela última vez em dezembro de 2002, deixando para trás 110 pessoas que viviam e trabalhavam nele um ano antes, sem saber que o Garcia fecharia, embora a crise já fosse evidente. Passei um ano acompanhando aquelas histórias. Nascia minha paixão pelo tema e o projeto Vida de Circo – Realidade e Fantasia, que traz cenas do cotidiano do circense (fotografado em preto-e-branco) e do espetáculo (em filme colorido). Sete anos depois, vejo que as imagens se tornaram peças preciosas de um álbum de memórias daquele que foi o maior e mais importante circo do Brasil.




A Magia do Circo

Hoje tem espetáculo?
Tem sim senhor.
Às oito horas da noite?
Tem sim senhor.
Arrocha negrada.


O grito do palhaço ecoa nas quebradas do sertão, anunciando a chegada do circo. A meninada, com os números marcados nos braços, que dão direito a entrada grátis, acompanha o cortejo cômico nas estradas do Cariri, mantendo, inconscientemente, uma das mais autênticas tradições artísticas do mundo, protagonizadas por pessoas simples, geralmente, integrantes da mesma família, que carregam no sangue e na alma a arte circense. À noite, o circo pobre, sem cobertura, iluminado com a luz da lua, está cheio até a tampa. Moradores de todos os sítios da redondeza ocupam as arquibancadas seduzidos pelas atrações anunciadas pelo palhaço “Chega Mais” que, além de proprietário do circo, é locutor, trapezista, palhaço, joga faca e engole fogo.
Instalado no sítio Logradouro, município de Missão Velha, a fama do Grande Circo Nacional se espalha num raio de duas léguas. Os números artísticos como a “Cama Ardente”, que consiste em se deitar em cima de cacos de vidros, a “Vassoura Diabólica” , que dois homens não conseguem segurar e, principalmente, o palhaço “Chega Mais”, com o seu carro maluco e um estoque de piadas e gestos obscenos que são motivos de comentários nos alpendres das casas sertanejas alimentam o imaginaram de crianças e adultos... Para jovens e velhos têm o dom de voltar as lembranças da infância onde se mesclam risos e fantasias.
O que mais chama a atenção, entretanto, é a pobreza franciscana do circo que, segundo seu proprietário, não vale mais do que 2 mil reais. O sonho de “Chega Mais” é comprar uma lona de cobertura. Ele lamenta que, nesta época de inverno, a chuva prejudica a freqüência do público. Felizmente, Deus tem sido camarada, só está chovendo de madrugada, afirma. Com o ingresso de R$ 1.00 é difícil comprar uma lona que custa em torno de R$ 20,000,00, reclama, acrescentando que a gente escuta falar sobre estes projetos para a cultura popular, mas ninguém aparece para ajudar.
O mais complicado é a vida fora do espetáculo. Os seis integrantes da equipe dormem dentro de uma kombi, modelo 87, que foi comprada por R$ 500,00. O veículo é utlizado também como bilheteria. Mais dois carros, “caindo ao pedaços”, uma Belina 87 e um Fiat, que roda rebocado, fazem parte da frota. Juntos, não valem mais de R$ 1.000,00. A alimentação é feita ao ar livre, ao lado do circo, pela mulher, Sandra Alves Lopes, a “Sandrinha”, 32 que faz o papel de companheira, dançarina e deita sobre vidros na cama ardente. A sobrinha Juliana Tenório Alves, 11 anos é dançarina e sobe numa escada com um copo com água na cabeça.
Mais dois filhos, Taís, Tarcísio, menores de 13 anos e o sobrinho Alexandre fazem parte do elenco, mas só trabalham no final de semana. Eles estudam em Juazeiro do Norte. Por isso, o circo não pode se distanciar muito do Cariri para não prejudicar o estudo dos meninos que, segundo “Chega Mais“ gostam da vida de artistas, mas precisam estudar.
O orgulho de ser artista está estampado no rosto de cada um. A vida cigana, que tem como teto uma kombi velha, não arrefece o entusiasmo dos circenses. É uma vida boa aperreada, diz o palhaço “Chega Mais”, lembrando que a vida nômade é uma forma de fazer amizades. A gente conhece o mundo e os homens. Já andei o Nordeste inteiro. Não existe prazer melhor do que fazer o povo rir, garante.
“Chega Mais” lembra, com emoção, a passagem do circo de Marcos Frota por Juazeiro do Norte. “Nós assistimos o circo de graça. Quando a direção do espetáculo, soube que eles eram artistas de circo, não cobraram o ingresso. O palhaço recorda o fato como um reconhecimento da arte popular. Mas nem tudo é alegria. Numa cidade do Piauí, o Circo foi despejado porque um macaco mordeu a o dedo da filha do prefeito. O palhaço reclama também da polícia que exige entrada grátis para parentes e amigos. No interior da Paraíba, um bêbado derrubou o palhaço de cima das pernas de pau, “Eu só não me lasquei, porque caí por cima de uma banca de verdura, diz “Chega Mais”.
Francisco Alves Costa, conhecido como “Chega Mais”, 36 anos, nasceu e se criou dentro de um circo. Ele é filho do palhaço “Chambrego” que, por sua vez, fez parte de uma família de palhaços, dentre os quais, “Canecudo”, “Borrachinha”, “Motoca” e “Pinicotico”, que marcaram presença no Nordeste. Infelizmente, os circos estão em crise. Ao fazer este comentário, “Chega Mais” acrescenta que, enquanto vida tiver, vai manter o seu circo, aos “troncos e barrancos “. Quero morrer fazendo palhaçada, esse é o meu destino, a minha profissão. O palhaço confessa que não saberia fazer outra coisa. Sou palhaço dentro e fora do circo. A declaração de “Chega Mais” vem acompanhada de uma filosofia: “ a vida já é amarga de mais para a gente viver triste. É preciso levar um pouco de alegria para o povo sofrido, principalmente, os sertanejos que são os mais perseguidos.
Palhaço de grandes circos como o “Nacional Itália”, “Chega Mais” experimenta a emoção do dirigir o seu próprio espetáculo no rastro de seus antepassados, vivendo de arribada, descobrindo amigos, revelando novos artistas e mantendo uma tradição que vem sendo engolida pela globalização. São os artistas natos, sem nenhuma lapidação, forjados nos picadeiros dos circos pobres, sem nenhuma ajuda dos arautos da cultural popular.
Terminada a temporada, que dura geralmente 15 dias em cada sítio, o pequeno grupo mambembe, procura outra localidade, transportando na sua bagagem ilusões e gargalhadas. Como aves de arribação a procura da sobrevivência, eles seguem o caminho voluntário dos retirantes nordestinos, pulando de trapézio em trapézio, sem rede de proteção, enfrentando o perigo em nome da arte e tirando a máscara de um mundo sisudo que felizmente ainda se emociona e ri com o espetáculo.

O palhaço


Desenvolvimento

A prof. Joana já deu o "feedback" do projeto. Disse que estou indo pelo caminho certo, mas preciso o quanto antes achar o circo em que vou filmar. O problema é que essa não é uma tarefa muito fácil. Circos de pequeno porte não têm sites, não saem no jornal e muito menos são encontrados nas grandes metrópoles. Para piorar, Campinas e mais algumas cidades da região proíbiram, através de uma lei, o uso de animais em circos... o que dificulta ainda mais a vinda deles...
Mas nem tudo está perdido. Vou entrar em contato com alguns artistas por email para ver se algum deles me dá uma idéia daonde eu posso encontrar o que eu preciso.

Intervalo

Já faz um tempo que não venho postar. Não me distanciei de maneira alguma do projeto, só não pude aparecer por causa dos inúmeros trabalhos da faculdade... Porém, eis-me aqui. E cheio de novidades! Hoje é um dia muito especial: Dia do CIRCO!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Projeto

Segue o projeto do curta:

“A vida do artista nasce quase já sem vista, no centro de uma pista sem querer. E assim vai se passando. Ora rindo, ora chorando. Sem ter pátria nem lar que lhe possa consolar, sem poder deixar guardada uma dor que fere o fundo. E há no mundo quem diz, que a vida do artista é alegre e bem feliz, porque não sabe adivinhar, que o artista está sorrindo com vontade de chorar”.

História: Pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase 5.000 anos em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. Desde então, o circo passou por diversas mudanças, antes que chegasse ao formato que conhecemos hoje. Na verdade, a primeira vez que um espetáculo ficou conhecido como o que chamamos de “circo” hoje aconteceu quando Charles Hughes, rival de Astley, fundou o Royal Circus, em 1782. Hughes ampliou a representação teatral em forma de pantomima, um gênero que não utilizava palavras faladas, mas gestos e trilha sonora. A essa altura, a idéia foi se expandindo pelo mundo, até chegar ao Brasil em 1830, onde o circo moderno encontrou ambiente bastante favorável. Os ciganos que aqui moravam já faziam números de rua, com doma de ursos, ilusionismo e acrobacias sobre cavalos. Por serem bons artistas e exímios ferramenteiros, muitos deles passaram a integrar os grandes grupos circenses.
Porém, hoje, a inocência foi perdida. A piada do palhaço já é conhecida, os contorcionistas ganham aplausos desanimados e os trapezistas são desmerecidos por não serem tão bons quanto os do Cirque du Soleil. O circo popular brasileiro aguarda silenciosamente por sua morte, se embrenhando cada vez mais nas periferias das cidades e nos cantos escuros do país.

Proposta: Embora hoje só tenham destaque os circos de grande porte – como o já citado Cirque du Soleil –, ainda há os pequenos circos, que não conseguiram se "modernizar", mas que resistem, fazendo apresentações nas pequenas cidades do interior e bairros da periferia das grandes cidades. Nesses circos, com pequenas estruturas, as famílias ainda trabalham como antigamente, fazendo de tudo. Os espetáculos são simples. São raras as apresentações com animais, que custam caro, ou com equipamentos grandes e sofisticados. Esses pequenos circos, ainda com sentimentalismo e, certamente, um pouco de saudosismo, continuam no picadeiro, com a certeza de que fazer sorrir ainda é o melhor remédio pra não deixar a tradição acabar.
E a idéia inicial é justamente essa: filmar um dia comum em um circo popular (para não dizer em um pobre), desde quando os artistas acordam até a hora do espetáculo. Ver essa transformação de pessoa comum para um artista. Mostrar as dificuldades de manter um circo em funcionamento no século XXI; como está a situação do circo brasileiro; como é viver da arte. Além disso, filmar a platéia, a cidade – como aquelas pessoas se sentem tocadas? Quais são suas impressões? Ou até mesmo por que foram ao circo?

"Senhoras e senhores, meninada, vamos em frente, o espetáculo não pode parar!"

Estruturação: O documentário se baseará na visão do circo decadente brasileiro. Cenas como o despertar deste, maquiagem dos artistas, do próprio espetáculo e do público serão indispensáveis. A principio, não tenho vontade de colocar falas, nem entrevistar pessoas, acho que imagens e trilha sonora conseguirão transmitir a idéia. Além disso, pretendo colocar trechos retirados de outros filmes sobre o tema (como “O Circo”, de Arnaldo Jabor), para ilustrar melhor toda a problemática envolvida.

"O circo é como o trem: uma coisa romântica, de uma grande ternura, do passado. É uma coisa prática para o povo. Você vai à vontade. O circo tem de ser preservado. É uma dessas coisas que jamais deveriam terminar”.
Dercy Gonçalves

sábado, 8 de março de 2008

sábado, 1 de março de 2008


O Circo

Assisti hoje ao curta "O Circo", de Arnaldo Jabor. O documentário acompanha um grupo de saltimbancos pelo Rio de Janeiro... Há uma série de depoimentos durante o filme, desde a mulher "sexy" até o palhaço...
O que me chamou a atenção foi a cena em que a lona do circo estava sendo montada... estou pensando em tentar filmar uma cena parecida. Outra coisa muito legal é que o filme começa com uma introdução muito interessante:

"Os artistas populares estão nas praças, nas feiras, nos circos há milhares de anos. Travam com o povo seu diálogo mais profundo, porque é o povo falando consigo mesmo.
No século passado, o circo tornou-se o maior espetáculo da terra... mas veio o cinema, a televisão, e a comunicação com as massas virou indústria pesada. Hoje, os circos aguardam a nova morte, talvez definitva. Retiraram-se as suas origens, vivem nos subúrbios e nos cantos escuros do país, porque as grandes luzes da cidade são hoje para os novos ídolos do tempo."


Gostei dessa idéia!
Mas ainda há muitos filmes para assistir...